Blog de uma leitora crónica, obsessiva livresca e bibliomaníaca. Os livros que li e as minhas opiniões.

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Segunda-feira, 01 de Janeiro de 2007
[Texto traduzido do inglês e extraído do site www.gale.com]

Autora de vários romances e de uma colecção de contos, bem como peças de teatro e histórias infantis, Isabel Allende tem sido aclamada internacionalmente pela sua escrita. Venceu o Prémio Quality Paperback Book Club New Voice pelo seu romance de estreia, A Casa dos Espíritos (1982) – que se tornou um best-seller em Espanha e Alemanha Ocidental nos anos 80 e em 1994 o filme – e o Prémio Los Angeles Times Book pelo seu romance De Amor e de Sombra (1984). Em 1988, o terceiro romance de Isabel Allende, Eva Luna foi votado como um dos melhores livros do ano pelo Library Journal.
Muitos dos livros de Allende são mencionados pela sua perspectiva feminina, qualidades dramáticas do romance e luta, e o realismo mágico uma escola literária frequentemente encontrada na literatura Latino-Americana. As suas personagens femininas sobrevivem à miséria – prisão, fome, a perda de entes queridos – mas nunca perdem o seu espírito ou capacidade de amar. A Casa dos Espíritos, que foi comparada a Cem Anos de Solidão do laureado pelo Prémio Nobel Gabriel Garcia Marquez, Lori Carlson observou na Review:” Há muito amor em A Casa dos Espíritos. As relações de homens poderosos com mulheres ingénuas, casais casados desgastados e rebeldes ansiosos podem até invocar a experiência pessoal dos leitores. Mas há outro tipo de amor neste livro com o qual o leitor não se consegue identificar. É do tipo que requer perdoar essa pessoa, cuja atormentadora mão empurrou a sua face contra um balde de excrementos. Uma força espiritual, que pode dominar um mundo impregnado de maldade, para gerar arte. Isabel Allende relata no seu primeiro romance, uma história vibrante de luta e sobrevivência, dedicado à sua mãe, avó e outras mulheres extraordinárias’ num país sem nome. Dadas as descrições dos eventos e pessoas no livro, o Chile depressa nos ocorre à mente. (…)
Durante a sua vida no exílio, Allende foi inspirada a escrever A Casa dos Espíritos. O romance foi adaptado ao cinema pelo escritor dinamarquês e realizador Bille August e exibido nos Estados Unidos em 1994. Baseado nas memórias de Allende sobre a família e sobre a revolta política no seu país natal, o livro narra os conflitos pessoal e político nas vidas das sucessivas gerações da família num país da América Latina anónimo. Estes eventos são comunicados, principalmente através das memórias das três principais personagens: Esteban e Clara, o patriarca e matriarca da família Trueba, e Alba, a sua neta de esquerda que cai nas mãos de torturadores durante o golpe militar.
A Casa dos Espíritos foi seguida por De Amor e de Sombra, que relata a troca à nascença de duas meninas. Uma das crianças cresce e torna-se o centro da investigação de uma jornalista, e a revelação do seu assassinato leva a repórter e um fotógrafo a fugirem para o exílio. The Detroit Free Press descreveu De Amor e de Sombra como ‘uma obra poderosa e assustadora’, em que Allende ‘prova a sua contínua capacidade de gerar ficção de excelência’, enquanto que The Toronto Globe and Mail comentaram que ‘Allende tem alguma dificuldade em iniciar romance porque tem de entrelaçar duas histórias separadamente, e inicialmente parece confiar demasiado nas suas capacidades como jornalista’. (…)
O próximo livro de Allende, Eva Luna, centra-se na relação entre Eva – uma contadora de histórias e argumentista ilegítima – e Rolfe Carlé – um emigrante e realizador austríaco, assombrado pelo passado nazi do seu pai. O romance recebeu críticas positivas, por exemplo Abigail E. Lee em Times Literary Supplement escreveu que ‘receia que Isabel Allende seja apenas escritora de um só livro, devendo ser anulada por Eva Luna, Allende move-se entre o pessoal e o político, entre o realismo e a fantasia, combinando duas exóticas histórias’. Além disso, Alan Ryan do Washington Post Book World afirmou que Eva Luna é ‘um romance marcante, onde uma cascata de histórias cai perante o leitor, histórias vívidas, apaixonadas e suficientemente humanas para cativar, pela sua própria escrita, a atenção e simpatia dos leitores. ‘
A este romance sucedeu Contos de Eva Luna (1991) em que a heroína de Eva Luna relata várias histórias ao seu amado Carlé. Segundo Alan Ryan em USA Today, ‘Estas histórias transportam-nos a um complexo mundo de prazeres sensuais, sonhos vívidos e desejos sem fôlego. É um mundo em que as paixões são selvagens, os motivos profundos e as acções têm consequências inexoráveis. ‘ Anne Whitehouse em The Baltimore Sun mencionou que ‘Allende possui a habilidade de penetrar os corações das personagens de Eva em poucas e breves frases. Estas são profundas, histórias transcendentes, que sustentam o espelho perante a natureza e que na sua estranheza se revela para nós próprios’.
Os Contos de Eva Luna foram seguidos pel’O Plano Infinito (1993) que, numa retirada estilística para Allende, retrata um herói masculino num cenário Norte-Americano. Gregory Reeves é o filho de um pregador nómada e profeta que se instala no bairro Hispânico de Los Angeles, após cair doente. Sendo o único rapaz anglo-saxónico da zona, Reeves é atormentado por membros do gang local. Eventualmente, encontra o seu caminho para fora do bairro, faz uma viagem de dever ao Vietname e vai estudar Direito em Berkeley. O Plano Infinito recebeu menos aplausos que os livros anteriores; Michiko Kakutani no New York Times descreveu o romance como uma ‘Saga bildungsroman-cum-family que deve mais a Judith Krantz do que a Gabriel Garcia Márquez’, concluindo que ‘é um desapontamento e mecânico’. Ainda assim, como romancista Jane Smiley referiu na sua crítica do Boston Globe, ‘Não muitos [escritores emigrantes] tentaram escrever um romance do ponto de vista de um nativo do novo país. ‘
O último trabalho de Allende, Paula (1995), é uma série de circunstâncias que rodeiam a prolongada doença e morte da sua filha em 1991. Comentando o profundo e emotivo efeito de Paula, o crítico da Publishers Weekly declarou que ‘[só] uma escritora com a paixão e técnica de Allende poderia partilhar a sua tragédia com os seus leitores e deixá-los alegres e agradecidos.’
publicado por xana às 00:02