Blog de uma leitora crónica, obsessiva livresca e bibliomaníaca. Os livros que li e as minhas opiniões.

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Sexta-feira, 01 de Junho de 2007

(Ano de edição:1993)

Pode um livro ser investigado policialmente como se tratasse de um crime, utilizando as suas páginas, papel, gravuras e características de impressão como pistas, num apaixonante percurso de três séculos?

Lucas Corso, mercenário da bibliofilia, caçador de livros por conta de outrem, tem de encontrar resposta para essa pergunta quando recebe uma dupla de clientes seus: autentificar um manuscrito de Os Três Mosqueteiros e decifrar o mistério de um estranho livro, queimado em 1667 juntamente com o homem que o imprimiu. A  investigação arrasta Corso - e com ele, irremediavelmente, o leitor - para uma perigosa busca que o levará dos arquivos do Santo Ofício aos livros condenados, das poeirentas estantes dos alfarrabistas às mais selectas bibliotecas dos coleccionadores internacionais. Construído com o excepcional talento narrativo, este livro organiza peça a peça uma trama excitante, minuciosa e complexa onde se congregam os ingredientes do romance clássico em fascículos, as histórias policiais e de mistério, os jogos de adivinhas e as técnicas do folhetim de aventuras.

[Texto extraído da contracapa]

Citações


 (pág.21) "Quem se irrita fala, esgrime argumentos e justificações, o que equivale a mais informação para o adversário."

 

(pág.23) "O homem não rouba, conquista (...) Faz de cada província que toma um anexo do seu império: impõe-lhe as suas leis, povoa-a de temas e de personagens, estende sobre ela o seu espectro..."

 

(pág.129) "Saber e calar é a regra. Mesmo quando se faz batota, sem regras não haveria jogo."

 

(pág.257) "-Nunca conheci um deus imparcial. Nem um diabo."

 

(pág.260) "O mundo está cheio de margens e de rios que correm entre uma e outra, de homens e mulheres que atravessam pontes ou vaus sem se preocuparem com as consequências desse acto, sem olharem para trás ou para debaixo dos seus pés, sem terem dinheiro trocado para o barqueiro."

 

(pág.270) "Porque faço parte do resto do mundo e gosto que assim seja. O cinema é uma coisa de muita gente: colectivo generoso, com os garotos a aplaudirem quando chega o Sétimo de Cavalaria. Até é melhor pela televisão: as películas vêem-se a dois, comentam-se. Em contrapartida, os teus livros são egoístas. Solitários."

 

(pág.377) "-O teu pior inimigo és tu mesmo (...) A tua imaginação (...) As árvores não te deixam ver o bosque."

 

(pág.407) "E, afinal de contas, uma pessoa escreve para se divertir, para viver mais, para gostar de si mesma ou para que os outros gostem."

 

(pág.409) "Por muita incrédula e desprovida de fé que uma pessoa seja, se quer participar não tem outra opção a não ser respeitar as regras. Só quem respeita essas regras, ou pelo menos as conhece e utiliza, pode vencer... Acontece o mesmo quando lemos um livro: é preciso assumir a intriga e as personagens para saborear a história."

 

(pág.412) "-Nunca se está só com um livro por perto, não acha?... (...) -Cada página nos lembra um dia passado, revive as emoções que o preencheram. Horas felizes assinaladas com giz, sombrias com carvão..."

 

(pág.421) "É essa a nossa autêntica pátria comum: relatos fiéis não ao que os homens vêem, mas ao que os homens sonham."

 

(pág.432) "Também Napoleão comete o erro de confundir Blucher com Grouchy, porque a estratégia militar implica tantos riscos como a literária... (...) já não há leitores inocentes. Perante um texto, cada um põe em jogo a sua própria perversidade. Um leitor é aquilo que leu antes, mais o cinema e a televisão que viu. À informação fornecida pelo autor acrescentará sempre a sua própria informação."

 

(pág.442) "-Há coisas que não se podem evitar (...) Há castelos que devem arder e homens que é preciso enforcar; cães destinados a despedaçarem-se entre si, virtudes a serem decapitadas, portas que se têm de abrir para que outros passem por elas..."

 

(pág.442) "Mais frequentemente do que julgamos, as coisas são o que queremos que sejam."

 

(pág.443) "É curioso esse hábito de adiar tudo para o fim, à maneira do último acto numa tragédia... Cada um arrasta a sua própria condenação desde o princípio. Quanto ao Diabo, não passa da dor de Deus; a cólera de um ditador apanhado na sua própria armadilha. A história contada do lado dos vencedores."

 

(pág.443) "-Porque a lucidez nunca vence."

publicado por xana às 20:03

ola xana, você ainda tem esse livro?
se tiver, queria trocar uma idéia contigo.
besson a 4 de Dezembro de 2013 às 18:50