Blog de uma leitora crónica, obsessiva livresca e bibliomaníaca. Os livros que li e as minhas opiniões.

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Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

(Ano de edição:2006 )

«Esta colectânea de textos não pretende ser o diário de viagem  de um grupo no seu sentido quotidiano e descritivo, traduz sim uma visão pessoal do mundo enquanto 'nómada de luxo' (utilizamos o avião em vez do camelo), ao longo de 8 anos de  deambulações que tenho feito integrado na comitiva Madredeus, de 1994 até hoje.

Fui escrevendo anotações nos suportes mais variados, no filofax, no computador pessoal, em folhas soltas, em guardanapos de restaurante. Essas notas foram escritas pelo mundo fora, em situações e locais muito diversos: em aviões e aeroportos, ao som dos anúncios dos vôos que saem pelos altifalantes, em quartos de hotel e camarins de teatro ao som dos arpejos das guitarras e dos vocalisos da Teresa, em cafés e esplanadas, em jardins e autocarros. Algumas narram factos e episódios que sempre vão acontecendo, outras referem-se a reflexões e pensamentos pessoais sobre a nossa existência e o mundo tão variado em que vivemos, outras ainda tentam descrever sonhos e interesses despertos pela intensa actividade itinerante que a nossa profissão proporciona e que só a viagem poderia fazer vir ao de cima.»

[Texto retirado do próprio livro - pág.10]

 

Citações


(pág.40) "Devemos pois ver-nos uns aos outros como poderosíssimos processadores de experiências pessoais, ou de grupo, e temos de encarar a simplicidade dos factos: para nos entendermos, trabalharmos em grupo ou fazer amizades, temos de ter algumas experiências em comum. Não necessariamente as mesmas mas umas que nos levem ao mesmo tipo de verdades, uma espécie de código que nos transforma em cúmplices."

 

(pág.43) "O nevoeiro é roupagem para os mitos, cega quando o iluminamos, deve ter a cor da alma."

 

(pág.102) "Assim, assumindo várias almas, não temos de ser lógicos ou parte de um rebanho. O controle divino torna-se muito mais difícil, os pastores de almas terão de fazer horas extraordinárias."

 

(pág.152) "A diferença que existe entre o Alentejo e o resto do país é que aqui o homem é dono da terra e lá a terra é dona do homem" - M.Torga

 

(pág.152) "...faz parte do meu ritual subir aos altos, sentir a voluptuosidade da fadiga, como diz Unamuno, e depois olhar. Devo às paisagens as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas." - M.Torga

 

(pág.152) "... falar de uma encosta coberta de neve sem ter a alma branca também, retratar uma folha sem tremer como ela, olhar um abismo sem fundura nos olhos, é para mim o mesmo que gostar sem língua, ou contar sem voz. Vivo a natureza integrado nela. De tal modo que chego a sentir-me, em certas ocasiões, pedra, orvalho, flor ou nevoeiro."

 

(pág.164) "Ouvir os insectos e tentar ver uma árvore a crescer."

 

(pág.164) "As opiniões deambulam com a idade, por isso convém nunca estar cem por cento seguro delas."

 

(pág.169) "Raramente leio ficção científica, especialmente desde que a evolução tecnológica que vertiginosamente invadiu a nossa vida diária, fez o estilo convergir com a realidade."

 

(pág.177) "Já vivemos num mundo dirigido por ficções de todo o tipo. A ficção está por todo o lado e o papel do escritor é inventar a realidade." - J.G. Ballard

publicado por xana às 00:01